NARRATIVAS DOS USUÁRIOS DE UM CAPS AD: A DIMENSÃO SOCIOCULTURAL E OS MODOS DE SUBJETIVAÇÃO FRENTE À POLÍTICA DE “GUERRA ÀS DROGAS

Nome: Niceia Maria Malheiros Castelo Branco
Tipo: Dissertação de mestrado acadêmico
Data de publicação: 26/06/2017
Orientador:

Nomeordem decrescente Papel
Adriana Leão Orientador

Banca:

Nomeordem decrescente Papel
Adriana Leão Orientador
Leila Aparecida Domingues Machado Examinador Externo
Pedro Paulo Bicalho Examinador Externo

Resumo: A Política de “Guerra às Drogas” disseminou a ideia de um mundo livre das drogas, que são essas a causa de todos os males da sociedade e que as notícias veiculadas na mídia, sob o título da “Epidemia do crack”, materializadas no espaço urbano com as famosas cracolândias têm disseminado no imaginário cultural a ideia do louco/usuário de drogas com ideia de violência e criminalidade. O que disparou este estudo foi nossa inquietação quanto à importância da Dimensão Sociocultural da Reforma Psiquiátrica, que consiste em intervir na questão cultural na sociedade, mas que não tem se mostrado muito efetiva na complexidade que envolve a droga e os usuários de drogas. Buscamos entender quais e como os atravessamentos desta “Guerra às Drogas”, materializada pelo Paradigma da Abstinência, interferem no cuidado na perspectiva do Paradigma da Redução de Danos e da Atenção Psicossocial, cujos princípios ancoram a Politica Nacional de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas. Nossa intenção foi ouvir como os diretamente envolvidos por esta questão, usuários e usuárias atendidos em um CAPS AD, são afetados pelos discursos, práticas e os efeitos nos seus modos de subjetivação e nas alternativas de cuidado a que esses recorrem. Utilizamos a pesquisa-intervenção, pois entendemos que o pesquisador que concebe as experiências humanas como singulares e que tem compromisso ético-político e estético com a realidade com a qual trabalha, este é um caminho importante para que possamos efetivamente produzir conhecimento em defesa da vida e cidadania dos sujeitos. Realizamos cinco encontros semanais, utilizando a metodologia da entrevista coletiva, com um grupo de 18 participantes, sendo 13 homens e cinco mulheres. Em função do que emergiu nas narrativas e das nossas inquietações, agrupamos as discussões em cinco tópicos: drogas; olhares e ideias sobre pessoas que usam drogas; como pensam o cuidado; a questão religiosa; os sonhos, os desejos e as utopias. Neste percurso, com a escuta a esses usuários e usuárias, apontamos pistas para que possamos intervir na dimensão sociocultural e avançar no processo da Reforma Psiquiátrica Brasileira.

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