GERMINAR TERRITÓRIOS DE VIDA EM CONTEXTOS DE LUTA POR MORADIA: RESISTÊNCIA E AQUILOMBAMENTO DA OCUPAÇÃO VILA ESPERANÇA
Nome: GUILHERME CORREA MIRANDA
Data de publicação: 24/10/2025
Banca:
| Nome |
Papel |
|---|---|
| JACYARA SILVA DE PAIVA | Examinador Interno |
| JÁDER FERREIRA LEITE | Examinador Externo |
| LARA BRUM DE CALAIS | Presidente |
Resumo: O presente trabalho propõe-se a acompanhar processos de aquilombamento que germinam da
existência e resistência em um contexto de ocupação urbana de luta por moradia. Para tanto,
buscamos operar com uma concepção ampliada de aquilombamento, a partir das
contribuições, especialmente, de Beatriz Nascimento e Abdias do Nascimento, que tecem
críticas à concepção da historiografia hegemônica, a qual atribui aos quilombos uma condição
estritamente arqueológica e fixa ao passado. Assim, por meio desse alargamento, procuramos
puxar fios de conexão entre territórios de aquilombamento e ocupações por moradia, à luz do
delineamento das categorias de afeto, cuidado e sabedoria ancestral. A Ocupação Vila
Esperança é o território em que se desdobra o percurso desta pesquisa. Localizada no
município de Vila Velha, pertencente à Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV), no
Espírito Santo, a ocupação teve início em 2017. Em razão do elevado índice de déficit
habitacional, atrelado à crise sanitária decorrente da Covid-19, a ocupação se expandiu,
chegando a abrigar aproximadamente 800 famílias no ano de 2025, segundo relatam as(os)
moradoras(es). Inserida em um terreno extenso, envolto por áreas de preservação ambiental, a
ocupação convive com a pressão de um intenso conflito fundiário que se instala sobre a
região. Com efeito, o entrelaçamento das forças de Estado, mercado imobiliário e sistema
judiciário impõem uma gramática de violência, que se materializa nas opressões da repressão
policial, do capital financeiro imobiliário e do discurso jurídico, na direção de despejar as(os)
moradoras(es) do território autoconstruído e ocupado. Nesse sentido, as análises apresentadas
voltam-se para o período de acirramento da disputa territorial, decorrente da decisão judicial
pela ordem de despejo da população. Por meio de uma proposição metodológica participativa,
voltada aos processos que germinam do/no chão-terra de vivência — ou seja, às relações que
tornam possível criar condições de manter um território de vida —, buscamos dar contornos
aos processos de aquilombamento cultivados nos momentos críticos de ataque e desmonte,
assim como à retomada da Vila Esperança, quando da decisão do STF que suspendeu a
reintegração de posse. Ademais, ancorados na experiência da Vila, apontamos a relevância
das ocupações como espaços de pertencimento e proteção, frente às lógicas
capitalistas-colonialistas de produção das cidades.
